Segurança das mulheres no Carnaval exige ação coletiva; conheça 5 formas de intervir em situações de assédio
Índice do Instituto Natura mostra que 62% dos brasileiros não sabem reconhecer e agir diante de situações de violência contra mulheres; 4 em cada 10 pessoas afirmam não se recordar de ter visto campanhas nos últimos 12 meses
Crédito: Mendez - Freepik
Enquanto foliões de todo o país se preparam para o Carnaval e são divulgadas campanhas de conscientização sobre assédio e abuso sexual durante festas e blocos, o Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres, lançado no final de 2025 pelo Instituto Natura e Avon, chama a atenção para a falta de informação sobre intervenção de terceiros em situações de violência contra mulheres.
O Índice, baseado na escuta de brasileiros das cinco regiões do país, revela um cenário contraditório e preocupante: embora 96% das pessoas reconheçam ter responsabilidade diante do problema social que é a violência contra mulheres, 62% não sabem identificar e/ou agir diante de casos do tipo e 50% já deixaram de intervir em situações reais por medo de serem prejudicados.
Essa omissão, segundo Beatriz Accioly, antropóloga e líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres no Instituto Natura, pode potencializar os riscos de escalada da violência, além de colaborar para a normalização de abusos. Esta normalização, inclusive, é o que torna o crime de importunação sexual comum no Brasil não só no Carnaval, mas durante todo o ano.
Violência contra mulheres no Carnaval não é exceção, nem ‘desvio de festa’: é expressão de desigualdades estruturais que atravessam o espaço público, o lazer e o corpo das mulheres. O Carnaval não cria a violência, mas amplifica práticas já naturalizadas, e é preciso reforçar que a suspensão simbólica das regras sociais não suspende direitos, diz a especialista
Para Beatriz, focar em como a mulher pode se proteger de situações de violência no Carnaval, como evitar ficar sozinha em meio à multidão, é um equívoco.
Não é o álcool, nem o figurino, nem o 'clima de festa' que causa a violência. Ao focar no comportamento individual da vítima, ignoramos que a segurança da mulher na folia depende, na verdade, de infraestrutura urbana, serviços públicos preparados e uma mudança cultural sobre o consentimento, destaca
5 formas de intervir em situações de assédio no Carnaval
Neste Carnaval, o Índice de Conscientização sobre Violência Contra Mulheres do Instituto Natura reforça que campanhas pelo fim da violência contra mulheres são importantes: apesar de recorrentes neste período do ano, 40% dos brasileiros dizem que não se lembram de terem visto campanhas sobre o tema nos últimos 12 meses (o questionário foi aplicado entre junho e agosto de 2025). No entanto, o foco deve ir além do que é ou não violência e como evitá-la, chegando ao debate sobre como ajudar mulheres nesta situação.
Somente 29% dos participantes da primeira pesquisa para o Índice, que deve ser atualizado anualmente, demonstraram conscientização “alta” ou “muito alta” sobre leis, serviços de apoio e conduta adequada em situações de violência contra mulheres, enquanto 28% demonstraram conscientização “baixa” ou “muito baixa” a respeito.
O foco tem que sair da vítima e ir para a testemunha ativa, afirma especialista. Intervir não é só confrontar, é também ativar a rede e apoiar, resume
Conheça formas de intervir em situações de violência contra a mulher em ambientes de festa sem agravar riscos:
- Saiba reconhecer e divulgue para seus amigos os sinais para pedir ajuda discretamente, como o gesto de abrir e fechar a mão com o polegar centralizado à palma;
- Organize saídas coletivas, pontos de encontro e redes de cuidado entre amigos;
- Utilize a técnica da distração: ao ver uma mulher em situação suspeita, finja que conhece a vítima e ofereça ajuda para se afastar do suposto agressor de maneira discreta, abordado-a com algo como "Oi, amiga, estava te procurando! Vamos ao banheiro juntas?" ou “Oi, prima, estamos indo para outro local. Vamos juntos?”;
- Acione seguranças ou policiais apontando o local da violência;
- Atenção ao consentimento vulnerável: se a mulher está visivelmente embriagada, ela não pode consentir. Amigos e desconhecidos devem atuar como barreira de proteção, evitando o contato de estranhos à mulher.
Segundo a especialista do Instituto Natura, é preciso também compreender o limite entre paquera e importunação ou assédio, assim como distinguir as manifestações de violência. O "não é não" é uma conquista cultural recente que precisa ser reforçada por políticas públicas, diferenciando que:
- Paquera é consentida e que consentimento não se presume, se verifica;
- Importunação sexual é o "beijo roubado", a “mão boba” ou toques não autorizados em espaços públicos e configura crime;
- Estupro de vulnerável é quando a vítima não tem capacidade de consentir um ato sexual.
Por fim, Beatriz Accioly explica que diferentes tipos de violência continuam ocorrendo durante o Carnaval.
É um erro focar apenas no assédio que pode acontecer em espaços públicos; no bloco, no clube, na avenida e esquecer que a violência doméstica, infelizmente, continua ocorrendo entre quatro paredes, mesmo durante todos os dias de festa, conclui
As situações podem acontecer tanto no espaço público quanto no ambiente privado, por isso, a recomendação da especialista é que, ao testemunhar qualquer ato violento, todas as pessoas saiam da posição de omissão e passem a intervir de forma ativa, mas sem se arriscar ou confrontar o agressor na proteção e acolhimento das mulheres.
Para mulheres que estão em situação de violência e precisam de apoio psicológico ou jurídico, o Instituto Natura oferece a assistente virtual Ângela, que disponibiliza informações sobre serviços e leis, além de atendimento profissional humano especializado. Apenas em 2025, foram feitos 458 atendimentos na plataforma, com 219 encaminhamentos para políticas públicas e 120 apoios de transporte seguro via parceria com a Uber até delegacias. A plataforma não funciona como canal de denúncia, mas direciona as mulheres aos órgãos públicos oficiais. O atendimento ocorre seguindo protocolos reconhecidos nacionalmente, com confidencialidade
Sobre o Indice de Conscientização sobre a Violência contra as Mulheres
O Índice de Conscientização sobre a Violência contra as Mulheres é uma ferramenta perene criada pelo Instituto Natura e a Avon para mensurar o nível de conscientização das populações do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México - países em que as instituições atuam - sobre a violência contra as mulheres. Assim, pretende apoiar políticas públicas e ações de transformação social. A intenção é que os dados do índice sejam atualizados anualmente.
Para este lançamento, foram escutados somente no Brasil pelo Instituto Natura, com o apoio da agência especializada Quiddity, 4.224 homens e mulheres acima de 18 anos. As entrevistas aconteceram de forma presencial e online entre junho e agosto de 2025 e respeitaram os recortes de região e gênero recomendados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de recortes de classe social, de acordo com renda familiar e escolaridade do entrevistado.
O questionário da pesquisa foi aplicado a partir de metodologias quantitativas de pesquisa social. Ele considera três dimensões complementares: conhecimento (cognição; o que se sabe sobre o problema), atitudes (ação; como reagimos diante dele) e valores (percepção; o que sentimos e acreditamos).
Sobre o Instituto Natura
Criado em 2010, o Instituto Natura almeja transformar a educação pública, garantindo uma aprendizagem de qualidade para todas as crianças e jovens nos seis países da América Latina em que está presente (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). Também como forma de atuação, se dedica ao desenvolvimento educacional das Consultoras de Beleza Natura e Avon e trabalha em conjunto com inúmeros parceiros no poder público, no terceiro setor e na sociedade civil. Desde 2024, o instituto ampliou sua atuação para a defesa dos direitos fundamentais das mulheres, desenvolvendo iniciativas voltadas à conscientização sobre o câncer de mama e ao combate à violência contra meninas e mulheres por meio do apoio da Avon, que historicamente tem sido uma parceira comprometida e continua apoiando as ações do Instituto Natura nessa causa.
Sobre a Avon
Avon é uma das maiores marcas de beleza do mundo e pertence à Natura Cosméticos. Há 138 anos, a Avon tem em sua essência um compromisso com as mulheres, promovendo não apenas experiências em beleza e autocuidado, mas também ações concretas em prol de sua independência e bem-estar. Presente no Brasil desde 1958, concentra no país sua maior operação. Seu portfólio diversificado inclui produtos inovadores e de alta tecnologia, com marcas mundialmente reconhecidas, como as linhas de maquiagem Power Stay, Tratamake e Color Trend, as linhas de cuidados Renew e Avon Care, além dos perfumes Far Away, Love|U, Attraction, Segno e 300km/H. Além disso, a marca oferece uma variedade de itens para Casa & Estilo. Para obter mais informações sobre a Avon, visite o site: www.avon.com.br.

Cristine Lore
Cristine Lore é formada por comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi, Gestão de crise e reputação coorporativa pela faculdade ESPM, e Comunicação Organizacional pela faculdade Cásper Líbero. Apaixonada por comunicação, criou o portal Giro da Lore em Outubro de 2016, e desde então promove e pratica o jornalismo independente por meio de seu portal de notícias e redes sociais, que permanece com um público fiel desde o ínicio do projeto. Além de editora e redatora, Lore também é responsável por negociar parcerias e publicidades do Portal Giro da Lore. Curiosidades sobre a Lore: Totalmente apaixonada por animais, música, documentários,Livros, história, filosofia, sociologia,comportamento humano, e devoradora de tudo sobre True Crime.







