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Segurança das mulheres no Carnaval exige ação coletiva; conheça 5 formas de intervir em situações de assédio

Índice do Instituto Natura mostra que 62% dos brasileiros não sabem reconhecer e agir diante de situações de violência contra mulheres; 4 em cada 10 pessoas afirmam não se recordar de ter visto campanhas nos últimos 12 meses

Atualizado em 12/02/2026 às 12:02, por Cristine Lore.

Fotografia colorida em plano médio de pessoas celebrando o Carnaval em uma rua ao ar livre durante o dia. Em destaque, várias mulheres vestem fantasias vibrantes, incluindo saias de tule coloridas e adereços de cabelo. Elas dançam segurando mini guarda-chuvas de frevo com gomos em cores primárias (vermelho, amarelo, azul e verde). Ao fundo, há uma multidão desfocada, árvores e um céu claro. A cena transmite alegria e movimento.

Crédito: Mendez - Freepik

Enquanto foliões de todo o país se preparam para o Carnaval e são divulgadas campanhas de conscientização sobre assédio e abuso sexual durante festas e blocos, o Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres, lançado no final de 2025 pelo Instituto Natura e Avon, chama a atenção para a falta de informação sobre intervenção de terceiros em situações de violência contra mulheres.

 

O Índice, baseado na escuta de brasileiros das cinco regiões do país, revela um cenário contraditório e preocupante: embora 96% das pessoas reconheçam ter responsabilidade diante do problema social que é a violência contra mulheres, 62% não sabem identificar e/ou agir diante de casos do tipo e 50% já deixaram de intervir em situações reais por medo de serem prejudicados.

 

Essa omissão, segundo Beatriz Accioly, antropóloga e líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres no Instituto Natura, pode potencializar os riscos de escalada da violência, além de colaborar para a normalização de abusos. Esta normalização, inclusive, é o que torna o crime de importunação sexual comum no Brasil não só no Carnaval, mas durante todo o ano.
 

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Violência contra mulheres no Carnaval não é exceção, nem ‘desvio de festa’: é expressão de desigualdades estruturais que atravessam o espaço público, o lazer e o corpo das mulheres. O Carnaval não cria a violência, mas amplifica práticas já naturalizadas, e é preciso reforçar que a suspensão simbólica das regras sociais não suspende direitos, diz a especialista

Beatriz Accioly



Para Beatriz, focar em como a mulher pode se proteger de situações de violência no Carnaval, como evitar ficar sozinha em meio à multidão, é um equívoco.
Não é o álcool, nem o figurino, nem o 'clima de festa' que causa a violência. Ao focar no comportamento individual da vítima, ignoramos que a segurança da mulher na folia depende, na verdade, de infraestrutura urbana, serviços públicos preparados e uma mudança cultural sobre o consentimento, destaca

Beatriz Accioly



5 formas de intervir em situações de assédio no Carnaval

 

Neste Carnaval, o Índice de Conscientização sobre Violência Contra Mulheres do Instituto Natura reforça que campanhas pelo fim da violência contra mulheres são importantes: apesar de recorrentes neste período do ano, 40% dos brasileiros dizem que não se lembram de terem visto campanhas sobre o tema nos últimos 12 meses (o questionário foi aplicado entre junho e agosto de 2025). No entanto, o foco deve ir além do que é ou não violência e como evitá-la, chegando ao debate sobre como ajudar mulheres nesta situação.

Somente 29% dos participantes da primeira pesquisa para o Índice, que deve ser atualizado anualmente, demonstraram conscientização “alta” ou “muito alta” sobre leis, serviços de apoio e conduta adequada em situações de violência contra mulheres, enquanto 28% demonstraram conscientização “baixa” ou “muito baixa” a respeito.

O foco tem que sair da vítima e ir para a testemunha ativa, afirma especialista. Intervir não é só confrontar, é também ativar a rede e apoiar, resume

Beatriz Accioly



Conheça formas de intervir em situações de violência contra a mulher em ambientes de festa sem agravar riscos:

  • Saiba reconhecer e divulgue para seus amigos os sinais para pedir ajuda discretamente, como o gesto de abrir e fechar a mão com o polegar centralizado à palma;
  • Organize saídas coletivas, pontos de encontro e redes de cuidado entre amigos;
  • Utilize a técnica da distração: ao ver uma mulher em situação suspeita, finja que conhece a vítima e ofereça ajuda para se afastar do suposto agressor de maneira discreta, abordado-a com algo como "Oi, amiga, estava te procurando! Vamos ao banheiro juntas?" ou “Oi, prima, estamos indo para outro local. Vamos juntos?”;
  • Acione seguranças ou policiais apontando o local da violência;
  • Atenção ao consentimento vulnerável: se a mulher está visivelmente embriagada, ela não pode consentir. Amigos e desconhecidos devem atuar como barreira de proteção, evitando o contato de estranhos à mulher.

 

Segundo a especialista do Instituto Natura, é preciso também compreender o limite entre paquera e importunação ou assédio, assim como distinguir as manifestações de violência. O "não é não" é uma conquista cultural recente que precisa ser reforçada por políticas públicas, diferenciando que:

  • Paquera é consentida e que consentimento não se presume, se verifica;
  • Importunação sexual é o "beijo roubado", a “mão boba” ou toques não autorizados em espaços públicos e configura crime;
  • Estupro de vulnerável é quando a vítima não tem capacidade de consentir um ato sexual.

 

Por fim, Beatriz Accioly explica que diferentes tipos de violência continuam ocorrendo durante o Carnaval.

É um erro focar apenas no assédio que pode acontecer em espaços públicos; no bloco, no clube, na avenida e esquecer que a violência doméstica, infelizmente, continua ocorrendo entre quatro paredes, mesmo durante todos os dias de festa, conclui

Beatriz


 

As situações podem acontecer tanto no espaço público quanto no ambiente privado, por isso, a recomendação da especialista é que, ao testemunhar qualquer ato violento, todas as pessoas saiam da posição de omissão e passem a intervir de forma ativa, mas sem se arriscar ou confrontar o agressor na proteção e acolhimento das mulheres.
 

Para mulheres que estão em situação de violência e precisam de apoio psicológico ou jurídico, o Instituto Natura oferece a assistente virtual Ângela, que disponibiliza informações sobre serviços e leis, além de atendimento profissional humano especializado. Apenas em 2025, foram feitos 458 atendimentos na plataforma, com 219 encaminhamentos para políticas públicas e 120 apoios de transporte seguro via parceria com a Uber até delegacias. A plataforma não funciona como canal de denúncia, mas direciona as mulheres aos órgãos públicos oficiais. O atendimento ocorre seguindo protocolos reconhecidos nacionalmente, com confidencialidade

 

Sobre o Indice de Conscientização sobre a Violência contra as Mulheres
 

O Índice de Conscientização sobre a Violência contra as Mulheres é uma ferramenta perene criada pelo Instituto Natura e a Avon para mensurar o nível de conscientização das populações do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México - países em que as instituições atuam - sobre a violência contra as mulheres. Assim, pretende apoiar políticas públicas e ações de transformação social. A intenção é que os dados do índice sejam atualizados anualmente.

 

Para este lançamento, foram escutados somente no Brasil pelo Instituto Natura, com o apoio da agência especializada Quiddity, 4.224 homens e mulheres acima de 18 anos. As entrevistas aconteceram de forma presencial e online entre junho e agosto de 2025 e respeitaram os recortes de região e gênero recomendados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de recortes de classe social, de acordo com renda familiar e escolaridade do entrevistado.

 

O questionário da pesquisa foi aplicado a partir de metodologias quantitativas de pesquisa social. Ele considera três dimensões complementares: conhecimento (cognição; o que se sabe sobre o problema), atitudes (ação; como reagimos diante dele) e valores (percepção; o que sentimos e acreditamos).

 

Sobre o Instituto Natura
 

Criado em 2010, o Instituto Natura almeja transformar a educação pública, garantindo uma aprendizagem de qualidade para todas as crianças e jovens nos seis países da América Latina em que está presente (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). Também como forma de atuação, se dedica ao desenvolvimento educacional das Consultoras de Beleza Natura e Avon e trabalha em conjunto com inúmeros parceiros no poder público, no terceiro setor e na sociedade civil. Desde 2024, o instituto ampliou sua atuação para a defesa dos direitos fundamentais das mulheres, desenvolvendo iniciativas voltadas à conscientização sobre o câncer de mama e ao combate à violência contra meninas e mulheres por meio do apoio da Avon, que historicamente tem sido uma parceira comprometida e continua apoiando as ações do Instituto Natura nessa causa.

 

Sobre a Avon
 

Avon é uma das maiores marcas de beleza do mundo e pertence à Natura Cosméticos. Há 138 anos, a Avon tem em sua essência um compromisso com as mulheres, promovendo não apenas experiências em beleza e autocuidado, mas também ações concretas em prol de sua independência e bem-estar. Presente no Brasil desde 1958, concentra no país sua maior operação. Seu portfólio diversificado inclui produtos inovadores e de alta tecnologia, com marcas mundialmente reconhecidas, como as linhas de maquiagem Power Stay, Tratamake e Color Trend, as linhas de cuidados Renew e Avon Care, além dos perfumes Far Away, Love|U, Attraction, Segno e 300km/H. Além disso, a marca oferece uma variedade de itens para Casa & Estilo. Para obter mais informações sobre a Avon, visite o site: www.avon.com.br.


Cristine Lore

Cristine Lore é formada por comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi, Gestão de crise e reputação coorporativa pela faculdade ESPM, e Comunicação Organizacional pela faculdade Cásper Líbero. Apaixonada por comunicação, criou o portal Giro da Lore em Outubro de 2016, e desde então promove e pratica o jornalismo independente por meio de seu portal de notícias e redes sociais, que permanece com um público fiel desde o ínicio do projeto. Além de editora e redatora, Lore também é responsável por negociar parcerias e publicidades do Portal Giro da Lore. Curiosidades sobre a Lore: Totalmente apaixonada por animais, música, documentários,Livros, história, filosofia, sociologia,comportamento humano, e devoradora de tudo sobre True Crime.