Maternidade tardia chega a 30% no Sul e no Sudeste, aponta IBGE

Mudança comportamental não acompanha a saúde reprodutiva do corpo feminino e dificuldades para engravidar naturalmente após os 35 anos são maiores

 

Um novo relatório de Estatísticas do Registro Civil, do IBGE, relativo a 2015, confirma novamente a tendência de as mulheres brasileiras, especialmente das regiões Sul e Sudeste, terem filhos mais velhas, entre 30 e 39 anos. Em São Paulo, por exemplo, 30% das mães engravidam nessa faixa etária, ante 22% em 2005.

Para a médica especialista em medicina reprodutiva do Grupo Huntington, Dra. Claudia Gomes Padilla, a explicação está na mudança comportamental da sociedade. “A mulher moderna está inserida no mercado de trabalho, cuida da casa, do corpo e, por isso, planeja ter filhos com mais idade. Quando esse momento chega, pode ser tarde, pois a qualidade e quantidade dos óvulos pode não ser suficiente, o que dificulta muito a gravidez natural”.

A taxa de fecundidade, que estima o número médio de filhos por mulher em idade fértil, também confirma essa tendência: em 2000, foi de 2,39, e, em 2015, caiu para 1,72. Olhando para o passado, a queda é ainda maior – na década de 60, por exemplo, a taxa era 6,3. Considerando esses dados, a especialista alerta que o corpo feminino não acompanha as mudanças comportamentais, e uma gravidez depois dos 35 anos pode ser muito dificultada. “O número e qualidade de óvulos, especialmente a partir dessa idade, é consideravelmente menor”, ressalta.

 

Solução pode ser preservação da fertilidade

Essa mudança comportamental também é percebida pelas clínicas de reprodução assistida do Brasil e o congelamento de óvulos já se tornou uma realidade entre as mulheres e cresce ano após ano. No Grupo Huntington, até junho de 2016, foram 176 casos de pacientes que congelaram óvulos para preservação da fertilidade, número que se aproxima do total de procedimentos em 2015, quando 230 foram realizados.

Segundo a Dra. Claudia, além da questão física e da diminuição da fertilidade, o método de congelamento se tornou mais eficaz recentemente, o que dá mais segurança às mulheres que pretendem realizar o tratamento. “A vitrificação é uma técnica que substituiu a anteriormente utilizada – denominada congelamento lento. Tem menos de 10 anos e melhorou consideravelmente os resultados e a rapidez do processo. Com a nova tecnologia, a chance de o óvulo sobreviver ao congelamento é de 95%”.

 

Como é feito o congelamento de óvulos?

  1. Os ovários são estimulados com indutores de ovulação, para gerar o crescimento dos folículos ovulatórios;
  2. Os óvulos são colhidos no momento adequado, com a paciente sedada;
  3. Após coletados, o congelamento rápido da célula é feito com nitrogênio líquido, à baixíssima temperatura (cerca de -196°C);
  4. Quando a mulher decidir utilizar o óvulo para ter filhos, a célula passa pelo processo de desvitrificação – ou descongelamento;
  5. Os óvulos são fertilizados em laboratório e os embriões formados introduzidos no útero. A taxa de sucesso de fertilização após o descongelamento é de 80%.

O congelamento também é indicado para os casos de mulheres com histórico de menopausa precoce na família, já que o esgotamento de sua reserva ovariana pode ser mais rápido, e em casos de futuro tratamento de câncer, que se constitui em fator de risco para infertilidade por conta da quimioterapia e radioterapia.

Mesmo nesse procedimento, a idade tem influência. “Quanto mais nova a mulher for ao fazer o procedimento, maiores são as chances de engravidar quando decidir utilizar estes óvulos”, pontua a médica. Abaixo, seguem alguns dados do Grupo Huntington sobre a relação de idade e congelamento de óvulos:

  • Chance de gravidez para mulheres com até 35 anos é de 50%;
  • Entre 36 e 39 anos, cerca de 45%;
  • Até 40 anos, em torno de 25%;
  • Após os 40, a taxa despenca: vai de 10% a 15%.

 

Sobre o Grupo Huntington

Criada em 1995, a Huntington Medicina Reprodutiva é um dos maiores grupos do Brasil, com três unidades instaladas em São Paulo e uma em Campinas. Sob a direção de Paulo Serafini e Eduardo Motta, renomados especialistas na área, o grupo é referência nacional e internacional em tratamentos para fertilidade. A Huntington possui corpo médico e técnico-científico altamente capacitado, que se destaca na prática clínica, cirúrgica e tecnológica. Os principais tratamentos utilizados atualmente são: Inseminação Artificial, Fertilização in Vitro, além de técnicas de reversão de vasectomia e de laqueadura, entre outras. Visite www.huntington.com.br

 

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