Gravidez: quando a cegonha aparece sem avisar

Eu sempre quis ser mãe. Sempre que olhava aquele olhar de cumplicidade entre um bebê e sua mãe tinha vontade de sentir essa ligação inexplicável, de ser responsável por uma pequena vida que dependesse do meu amor e cuidado. E hoje, quem diria, estou a espera do meu primeiro bebê! Nesse momento vivo uma gravidez não planejada mas em hipótese alguma não desejada. Melhor explicar essa história direito, já que você que lê meu texto pode não conhecer a minha história.

Eu sou brasileira e moro na Irlanda com meu namorado também brasileiro desde Março de 2016. Um belo dia resolvemos juntar nossas trouxinhas e embarcar juntos nessa aventura de morar fora. Planejamos tudo direitinho e quando chegou a hora compramos nossas passagens e viemos!

Eu sempre digo que uma mudança dessas não é para qualquer um. Tem que ter coragem. A visão fantasiosa de viver fora é bem diferente da realidade e por isso principalmente no início os dias são recheados de perrengues e adaptação! Adaptação a nova vida, a nova casa, a nova cultura, a um novo povo. Digamos que é bastante coisa a ser administrada!

Pois é, foi quando há mais ou menos três meses em meio a esse equilibrar de pratos que eu resolvi fazer um teste de gravidez para desencargo de consciência porque minha menstruação estava atrasada. Nada demais, comprei por comprar…fiz!

E aí no primeiro segundo apareceu lá, em letras garrafais :”PREGNANT” (GRÁVIDA). Não vou romantizar a cena aqui: Não senti minhas pernas na hora e o chão sumiu. Uma sensação súbita de desespero tomou conta de mim. Me recordo bem ter passado 3 dias em estado catatônico. A principal razão de estar dividindo isso aqui é dizer para quem viveu ou vive essa situação que essa reação é absolutamente natural e aceitável quando você não espera que aconteça. Acredito que até mesmo as mamães que planejaram sua gravidez são invadidas por algum sentimento de insegurança quando se descobrem de fato grávidas.

Quando eu descobri minha gravidez revirei o Goggle em busca de alguma informação que me acalmasse e no final das contas parecia que nenhum relato transmitia algo parecido com o desespero que eu sentia naquele momento. Me senti culpada! Porque eu não estava pulando de alegria com a certeza de que aquela notícia era a melhor coisa que poderia ter me acontecido?

Oras, porque eu não planejei. Não tinha coletado informações, porque eu tinha acabado de chegar em um país diferente e minha vida ainda não tinha a estrutura que eu considerava ideal para receber um bebê nesse mundo. Por isso. Pode ser que suas razões para uma ter uma crise de insegurança sejam outras mas não se culpe e nem se martirize por não estar correspondendo as reações romantizadas sobre a maternidade. Cada vida é uma vida e da sua só você sabe.

A boa notícia é que a aflição tem fim. Teve para mim! Com o tempo e  com o apoio total do meu namorado as ideias foram clareando. Surtamos juntos, nos acalmamos juntos e por fim morremos de alegria juntos. Tive a certeza de que não estava sozinha, eu vivo uma relação estável, temos famílias incríveis que nos apoiam e nos dão força todos os dias mesmo que à distância. Somos abençoados por receber uma quantidade imensa de carinho e energias positivas de amigos e pessoas que torcem de coração pela nossa felicidade. Então eu penso que qualquer que seja a sua situação, depois do susto você vai encontrar a saída, aquela luz no fim do túnel existe e se as portas estiverem fechadas você vai encontrar uma janela!

Eu ainda enfrento uma gravidez diferente por envolver as circunstâncias da falta de planejamento, é verdade. Mas nunca estive tão feliz e agradecida. A cada vez que sinto ela mexer na minha barriga agradeço a Deus por esse pequeno milagre. Tudo acontece por uma razão e você se encontra no lugar que está nesse momento porque é exatamente aí que você tem que estar.

Por isso termino esse texto emanando gratidão pelos desafios, pelos aprendizados e pela benção de ter sido escolhida para ser mamãe da pequena Helena.

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